De acordo com seu filho, Sean Ono Lennon, o icônico John Lennon chegou a se ressentir de ter que ser um Beatle em seus últimos anos. O lendário vocalista do grupo de Liverpool sentia-se desgastado por fazer parte da máquina pop, especialmente nos anos que se seguiram à separação da banda em 1970. Inspirado por sua esposa, Yoko Ono, seu desejo era focar em uma nova fase como artista e ativista radical.
Em uma entrevista à BBC Radio 6 Music, Sean esclareceu que, apesar do desejo de mudança, seu pai nunca perdeu o amor pela música, mas sim pela fama e pela obrigação de fazer parte da máquina pop. Ao comentar sobre o período dos shows beneficentes One to One em 1972, no Madison Square Garden, que marcaram seus únicos concertos solo completos após deixar os Beatles, Sean desmistificou a ideia de que a paixão musical havia se extinguido. Ele explicou que seu pai se ressentia de ter que ser um Beatle e que o relacionamento com Yoko Ono foi o catalisador para que ele buscasse um novo caminho como artista.
Sean também refletiu sobre os desafios enfrentados por seu pai, especialmente após o fracasso comercial e de crítica do álbum de 1972, Some Time in New York City. Ele acredita que o espírito impulsivo e politizado do disco, que ele descreve como quase um tipo de espírito proto-punk, não foi bem recebido na época. A revelação surge durante a promoção do box set Power To The People, que inclui gravações inéditas e até mesmo telefonemas privados de Lennon, gravados por ele mesmo em meio a preocupações com a vigilância do FBI durante a era Nixon. Para Sean, ouvir essas chamadas foi como entrar em uma máquina do tempo, oferecendo um vislumbre íntimo da vida de seu pai.






